
Vagarosamente, ele a mediu de cima a baixo.
dulce sentiu sua pele ficar
quente, depois fria. Ele levantou a cabeça e seus
olhos se cruzaram. Ela já
vira aquela espécie de olhar antes.
Ela crescera em Marlow. Como a maioria das
cidades interioranas, havia
"panelinhas formadas". Cada um tinha seu
próprio grupo. Exceto dulce.
Sua avó a criara, e o cheque de Seguro Social
que recebia mal dava para as
despesas da casa e educação da neta. Mas a
velha senhora lhe dera muito
mais do que o dinheiro podia comprar: muito
amor e um forte orgulho
irlandês.
dulce nunca tolerara qualquer tipo de zombaria
na ocasião e não era agora
que iria tolerar. Olhou-o com silencioso desafio.
Tinha um trabalho a fazer.
Com um leve movimento da cabeça, atirou seus
cabelos castanhos para
trás. Uma sobrancelha grossa ergueu-se como se
ela tivesse ousado evocar
uma outra emoção nele, além de enfado.
Erguendo as mãos acima da cabeça, ela começou
o ritual da dança. A sala
ficou silenciosa, exceto pelo som ritmado das
castanholas.
Lentamente, ela começou a mover-se, os quadris
ondulando para um lado,
enquanto a parte superior do corpo movia-se
para a direção oposta. Braços
esticavam-se para o lado, sempre batendo as
castanholas, hipnotizando.
Alguém ligou o toca-fitas que Tom
providenciara. Música erótica encheu a
sala. Fechando os olhos, dulce deixou a música
dominá-la como uma chuva
leve num dia de primavera. Tornou-se uma parte
da música, não mais
consciente do homem.
Cada vez mais rápido, o compasso ficou
alucinante e ela o acompanhou
freneticamente. Seus cabelos esvoaçavam de
forma sensual, e quando se
curvava, chegavam a tocar seus quadris como a
carícia de um amante.
Pés descalços rodopiavam pelo exíguo espaço no
meio da sala. Seus lábios
entreabriam-se com sensualidade. dulce
despejou todas as emoções nos
movimentos rítmicos, e quando a música parou,
caiu no chão, o peito
arfando pelo esforço.
Primeiro o silêncio, depois o aplauso atroador.
Ela levantou a cabeça e encontrou o olhar do
homem que iria se casar. Suor
gotejava na testa dele, mas, em vez de triunfo,
ela sentiu uma pontada de
medo. Os olhos cinza-metálicos refletiam um
desejo escaldante. Isso fez a
pulsação dela acelerar-se. Sua única vontade era
correr dali o mais rápido
que pudesse. Em vez disso, virou-se de costas
para ele, pegando o drinque
que alguém lhe pusera nas mãos. A boca de
repente estava seca e ela
procurava restabelecer a respiração.
continua

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