Diário de Uma Louca Episódio 8: Desculpas sinceras

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Cheguei hoje cedo em Nova York. Tudo estava como antes, a mesma correria, o mesmo engarrafamento, exceto eu. Desde quando eu cheguei em Los Angeles, não vinha me sentindo bem; parecia que algo de muito ruim iria acontecer, mas eu preferi ignorar esse mau pressentimento e descansar um pouco antes de ir a revista.
Tudo já estava pronto pra publicação do mês só faltava mandar rodar os exemplares, o que eu iria fazer hoje. Mas antes que eu pensasse em me deitar na cama e dormir, meu chefe me ligou me requisitando urgentemente na revista. E lá fui eu com o cabelo todo em pé e com a maquiagem toda mal feita.
O ‘ogro assassino’ do meu chefe não havia me avisado o porquê da tal convocação da minha tão urgentemente, cheguei toda bagunçada e fui jogado pra dentro da sala de reuniões como se estivessem me jogando pra dentro da cova de leões. A Diner estava furiosa porque o melhor modelo deles havia sido cortado na publicação de uma cobertura de um desfile. Meu chefe estava furioso.
A revista em que eu trabalhava tinha um acordo comercial com a Diner para promover seus tops models, e eu sem querer tinha excluído um deles da edição. Era tanta coisa na minha cabeça que na hora de eu mandar pra publicação a revista, tinha realmente excluído a foto do tal modelo.
A coisa comercialmente, e profissionalmente falando estava feia; mas pior ainda estava a minha vida pessoal. Eu tinha excluído nada mais nada menos do que o Yan, meu ex ‘gatinho-fofo’.
Meu chefe me deu bronca quilométrica dizendo que eu não devia misturar a minha vida pessoal com a profissional. Ainda completou dizendo que só porque eu fui traída (ele foi gentil em não falar chifrada ou corneada), eu não deveria ter feito aquilo e que deveria concertar aquilo imediatamente.
Não pensem vocês que isso só foi uma humilhação entre eu, meu chefe, e um dos agentes da Diner; meu ex ‘gatinho-fofo’ estava presente acompanhando toda a bronca que estava levando.
Não sei o que era pior, levar uma bronca dessas na frente do meu ex e ele achar que eu fiz isso por despeito; ou eu estar um caco, toda desarrumada e feia na frente dele.
Eu realmente não conseguia dormir em aviões e por isso em todas as minhas viagens noturnas eu ficava cheia de bolsas e olheiras embaixo dos olhos que nem o melhor corretivo da Dior poderia resolver.
Sai da sala de reuniões, direto para a minha sala pra resolver logo aquilo. Em pensar que eu ia ter que reeditar tudo aquilo novamente; provavelmente eu não iria dormir mais uma noite.
Quando eu pensei que eu estava sã e salva em minha bolha (é assim que eu chamo a minha sala), Yan me bate a porta e pede um minuto para conversar comigo. Será que ele já não tinha ganho o dia em me ver sendo humilhada e escorraçada pelo meu chefe? Ele viria me humilhar mais uma vez? Não estava feliz com aquela magricela da Roxane?
Na verdade ele veio me perguntar se eu estava bem depois de tudo o que aconteceu entre eu e ele. Ele se sentia muito mal pelo que tinha feito e pediu um milhão de desculpas. Ele não estava mais com a Roxane já fazia umas semanas; ela o trocou por um roqueiro australiano. Eu já sabia disso a Polly (estagiária e assistente da Roxane) já havia me dito.
Yan queria conversar, estava se sentindo muito sozinho, seu pai estava muito doente e ele não tinha como ficar com o seu pai no hospital, pois estava trabalhando muito. Eu como não consigo ver ninguém sofrer (droga de comoção) o convidei para jantar. E ele aceitou. Íamos nos encontrar às 10 horas no Geatou Buffet, ele iria reservar a mesa.
Chegando ao jantar Yan me contou que seu pai estava com câncer e que se arrependia do que tinha feito comigo (é ele disse isso mais uma vez!), agora que ele precisava de mim eu não estava ao lado dele devido a uma burrada a qual ele fizera.
O consolei toda a noite; disse que ele já estava desculpado a muito tempo e que a nossa amizade ainda existia. Eu sempre apoiei quem precisou de ajuda e não era agora que eu não iria apoiar, ainda mais alguém que já foi muito especial para mim.
Terminamos de jantar e ele me levou até minha casa. Nos despedimos e combinamos de almoçar no dia seguinte. O que me preocupava agora era se eu devia contar ao Michael sobre esse jantar ou não. Michael sabia de toda a história que eu tive com o Yan, e eu tinha certeza que ele não iria aprovar tal reaproximação, afinal o Yan foi o primeiro homem que me fez sentir o que é se apaixonar de verdade.
Escrito por: Daniela Amorim

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