Conversava horas e horas com o Yan ao telefone e a noite me encontrava com o Michael. Eu estava me sentindo como uma vagabunda que transava de manhã (pelo telefone) com um e a noite dormia com outro. A Rafa me dizia que era síndrome de mulher caça-marido, “se não der certo com um, tem outro pra levar pro altar”; também pra ela era fácil falar afinal ela já tinha fisgado o peixe dela.
Naquele fim de semana eu iria levar o Michael para um jantar de família. Meu irmão iria ser papai e queria comemorar com todos. Já tinha advertido o Michael sobre as manias da minha família.
O tio Robert era muito conservador, mas quando servia na Marinha Americana, fazia um filho em cada Estado que visitava. Ele tinha 19 filhos e achava que tinha mais 7 perdidos por ai. Ele veio morar com agente quando eu era pequena, foi ele que me ensinou a pescar e a velejar no velho barco do meu pai. Ele dizia que “seu pai perdeu o prazer de ver as ondas do mar pra ficar trancafiado em um escritório fazendo cálculos”, realmente, depois que meu avô morreu meu pai deixou de ir velejar e de ir pescar “Essas atividades fazem ele lembrar muito do seu avô”, como dizia minha mãe.
Minha mãe era uma senhora muito bem apanhada, digamos de passagem. Minha meta de vida era chegar à idade dela com toda a disposição que ela tinha. Ela possuía uma floricultura, um centro de paisagismo e ainda arrumava tempo pra dar aulas de piano. Confesso que mesmo tendo uma excelente professora em casa, eu nunca aprendi a tocar piano; eu sempre preferia ir ao shopping ver o que tinha de novo nas vitrines do que ficar sentada em frente de um pedaço de madeira cheio de teclas.
Meu pai era um aposentado que vivia falando de trabalho. Depois que ele se aposentou abriu um escritório de contabilidade que minha mãe o convenceu a fechar. Depois tentou ajudar minha mãe com as finanças da floricultura e do centro de paisagismo, mas não deu muito certo. Meu pai era muito perfeccionista e minha mãe nem um pouco, pelo menos no que se diz respeito em contabilidade (minha mãe fazia toda sua contabilidade em uma agenda do ano de 1973 – “foi um bom ano”, dizia ela).
Chegou o fim de semana, colocamos tudo na mala do carro e fomos pra New Jersey. Nesta pequena cidade eu cresci, dei meu primeiro beijo, foi onde eu dei meu primeiro amasso.
Michael e eu ficamos no meu antigo quarto. Tudo estava como quando eu ainda morava lá. Minhas bonecas na prateleira, lençóis rosas e na parede um monte de recortes de revista de moda e um pôster do Antonio Banderas.
O fim de semana passou rápido, e ficou resumido a Michael e meu pai falando de negócios, minha mãe e minha cunhada ficaram falando do bebê (que esperavam que fosse uma menina) e meu tio e eu ficamos relembrando quando íamos pra casa de praia e ficávamos pescando.
Até que foi bom relembrar o passado, meu tio sempre foi meu confidente, foi ele o primeiro a saber quando eu dei meu primeiro beijo e quando eu perdi minha virgindade. Sempre me dava bons conselhos vindo eles recheados de historias e citações de pessoas famosas, dessa vez não disse muito, limitou-se a dizer “Dois é bom, três é demais”. Mas do que nunca deveria escolher entre o Yan e o Michael, pois o Yan estaria de volta na quarta feira e como o combinado pelo telefone, eu iria morar com ele.
Escrito por: Daniela Amorim
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