
Uma sardinha prensada numa lata teria mais
espaço do que ela dentro
daquele enorme bolo de papelão, pensou dulce
maria. E se, por acaso,
nunca saísse dali?
Gotas de suor porejavam pelo rosto abaixo, e as
gotículas, como contas de
cristal, inundavam seu peito e deslizavam entre
os seios. Ela sorriu, arqueou
o traseiro e alisou a frente de seu traje contra os
seios.
— Ai! — gritou quando uma das falsas moedas
de ouro feriu sua mão.
Outro assunto que queria discutir com tom: ele
não mencionara aquela
fantasia quando a contratou. Aliás, havia muita
coisa ainda para falar a
respeito.
A fantasia consistia em pequenos pedaços de
seda vermelha nos lugares
estratégicos e gaze quase transparente que
escondia os outros. E uma
porção de ridículas moedas de ouro. Todas as
vezes que ela se movia, as
benditas moedinhas tilintavam como enfeites
chineses que vibram ao vento.
— Você está pronta? — uma voz estranha
sussurrou.
— Sim. — Não, não realmente — Eu devia estar
em casa, assistindo tevê —
murmurou ela. — Exceto que não tenho
televisão.
— Silêncio — recomendou-lhe a voz.
Como se o solteiro daquela noite não fosse suspeitar
que alguém estivesse
dentro do falso bolo de papelão de três andares. Só
se fosse muito tolo.
Ela não
teve tempo de ponderar sobre tal pensamento
quando a caixa começou a
rolar.
— Ei, devagar — gritou Dulce quando uma
tábua bateu no seu quadril. O
bolo parou comum solavanco. Sua cabeça bateu
contra o lado do sufocante
artefato de papelão. Ela passou a mão na testa
para massageá-la.
— Desculpe-me pela parada abrupta —
declarou a voz. — Baterei no bolo
três vezes. Será a dica para você pular fora.
Dentro do exíguo espaço do interior do falso
bolo, ela ouviu portas se
abrirem, seguidas por aplausos vigorosos. Ela
não havia feito cálculos
matemáticos. Dallas, Texas, adicionado à festa
de despedida de solteiro e
álcool, significava problemas pela frente. Talvez
devesse ter considerado
aquele trabalho mais cuidadosamente.
continua

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